Derrite sai da Segurança de SP: fortalecido ou desgastado?

Derrite sai da Segurança de SP: fortalecido ou desgastado?

Derrite sai fortalecido ou desgastado? Essa é a pergunta que movimenta a política paulista desde o dia 1º de dezembro de 2025, quando Guilherme Derrite oficializou sua saída da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. O anúncio, feito em evento da ROTA, veio acompanhado de uma frase que já repercute nos bastidores: “Quem controla a segurança, controla o discurso.”

A decisão, apresentada como estratégica para disputar o Senado em 2026, abre espaço para dúvidas. Derrite deixa a pasta após uma gestão marcada por operações de alto impacto, mas também por fracassos comprovados e amplamente noticiados que desgastaram sua imagem.

 

📌 Dois casos que marcaram sua gestão

Operação Baixada Santista (2023)
Após o assassinato de um policial da ROTA, a Secretaria comandada por Derrite autorizou uma megaoperação na Baixada Santista. O resultado foi mais de 28 mortes em poucos dias, número que gerou forte repercussão nacional. A imprensa destacou denúncias de execuções sumárias e uso desproporcional da força. O caso foi investigado pelo Ministério Público e pelo Judiciário, tornando-se símbolo da crítica à política de segurança sob Derrite.

Morte do estudante Marco Aurélio Acosta (2024)
O jovem de 23 anos foi morto em ação policial em São Paulo, em circunstâncias que levantaram suspeitas de abuso. O episódio ganhou destaque nacional, com protestos de movimentos sociais e cobertura ampla da mídia. A repercussão colocou em xeque a condução da pasta e reforçou a narrativa de que a gestão priorizava operações letais em detrimento de políticas de prevenção.

Esses dois episódios, comprovados e amplamente divulgados, consolidaram a percepção de que a gestão Derrite foi marcada por letalidade policial e crises institucionais.

📊 Pesquisas e cenário eleitoral

Levantamentos recentes mostram um quadro *embolado. Em alguns cenários, Fernando Haddad (PT)* aparece à frente; em outros, Eduardo Bolsonaro (PL) lidera com mais de 30% das intenções de voto, enquanto Derrite oscila em torno de 17%.

Nos bastidores, circulam boatos de que Michelle Bolsonaro estaria articulando movimentos para fortalecer outros nomes e, ao mesmo tempo, blindar aliados contra possíveis processos. Essa narrativa, ainda sem confirmação oficial, adiciona incerteza ao tabuleiro e reforça a percepção de que Derrite não tem consenso nem dentro do próprio campo bolsonarista.

 

🎭 Tabuleiro político em movimento

No governo Tarcísio: a saída de Derrite exige reposicionamento imediato. Osvaldo Nico Gonçalves já foi anunciado como substituto.
Para Derrite: o gesto é calculado, mas enfrenta resistência. Parte de seus aliados não concorda com a candidatura e prefere outros nomes.
Na oposição: Haddad e Alckmin aparecem como adversários fortes, disputando diretamente o eleitorado paulista.
Entre aliados: os casos da Baixada Santista e da morte de Marco Aurélio são lembrados como símbolos de desgaste, e podem se tornar munição contra sua campanha.

 ⚖ O que está em jogo

Mais do que uma troca de nomes, a saída de Derrite expõe a lógica da política situacional: decisões moldadas pelo calendário eleitoral e pela pressão dos bastidores. Sua candidatura ao Senado não é consenso nem entre aliados, e os fracassos comprovados de sua gestão reforçam a dúvida sobre sua viabilidade.

 

Reflexão final

A questão que se impõe é direta e provocativa: Derrite sai da pasta como candidato forte ou como político enfraquecido? O eleitor paulista terá de decidir se a frase que marcou sua despedida — “Quem controla a segurança, controla o discurso” — é suficiente para transformar discurso em voto, ou se os fracassos de sua gestão serão lembrados como obstáculos intransponíveis.

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