OPINIÃO | O choque de ordem e o peso do voto: por que o eleitor deve pensar duas vezes antes de mandar Derrite ao Senado
A cadeira em Brasília exige mais do que discurso de mão pesada na segurança pública
O debate para as vagas no Senado Federal por São Paulo está esquentando, e o nome do capitão e ex-secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, aparece como um dos puxadores de voto da ala conservadora. No entanto, quando o eleitor coloca na balança o que realmente está em jogo em uma cadeira no Congresso Nacional, a conta da gestão e do perfil político pode não fechar para o cidadão comum.
O papel do senador não é comandar patrulha na rua ou canetear operação de polícia. Senador vota lei sobre impostos, verba para hospital, orçamento para escola e rumos da economia do país. E é justamente aí que moram os principais pontos de alerta sobre a pré-candidatura do ex-secretário.
1. Segurança no papel vs. sensação nas ruas
Durante a passagem pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP), a marca registrada foi o confronto e as operações de grande impacto na Baixada Santista. Se por um lado o discurso de linha dura agrada a uma fatia do eleitorado, por outro, os dados de órgãos de imprensa e de controle social mostraram que o dia a dia do morador da periferia e dos grandes centros continuou pesado.
Furtos, roubos de celular e a sensação de insegurança no transporte público e no comércio de bairro continuaram sendo dor de cabeça constante para quem acorda cedo para trabalhar. Promessas de pulso firme no topo não resolveram o crime de rua que afeta o trabalhador na ponta.
2. Um mandato focado em uma nota só
A trajetória parlamentar do capitão sempre esteve amarrada a um único assunto: segurança e revisão de leis penais. O problema é que o Senado exige trânsito e conhecimento em áreas cruciais onde ele pouco atuou.
Como fica a discussão da saúde pública, da geração de empregos na indústria paulista, da tabela do Imposto de Renda e do transporte sobre trilhos? Mandar para Brasília um representante focado em tema único pode deixar São Paulo sem voz ativa nas grandes decisões econômicas do país.
3. Tensão institucional e divisão nas forças de segurança
A gestão na SSP também deixou marcas de divisão interna. Entidades ligadas à Polícia Civil e à Polícia Científica cobraram repetidamente mais valorização e equilíbrio nos investimentos, alegando prioridade quase exclusiva para a Polícia Militar. Um senador precisa saber somar e dialogar com diferentes setores, e não alimentar divisões dentro das próprias instituições do Estado.
4. A rejeição do diálogo e o radicalismo
O alinhamento irrestrito com a ala mais radical da política cria barreiras para conseguir verbas e aprovar projetos que dependem de negociação no Congresso. O eleitor paulista precisa de representantes que consigam sentar à mesa com governos de diferentes partidos para trazer recursos reais para os municípios — seja para asfaltar rua em Osasco, equipar hospital em Barueri ou melhorar o trem na capital.
Ao olhar para a urna, o eleitor de São Paulo precisa decidir se quer apenas uma voz de protesto em Brasília ou um parlamentar com visão ampla para defender o bolso, a saúde e o futuro de todo o estado.

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