Falta de compromisso da executiva do PSB Osasco gera desgaste que vai refletir nas urnas
Entre promessas e bastidores: a disputa interna que testa os limites do PSB em Osasco
O pragmatismo político que dita a sobrevivência dos partidos em períodos entre safras eleitorais costuma cobrar um preço alto quando os acordos de bastidores colidem com as ambições individuais. Em Osasco, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) vive exatamente esse dilema. O que se desenha nos bastidores da sigla local não é apenas uma disputa paroquial por espaço, mas um reflexo claro de como a centralização de decisões pode desgastar as bases que dão sustentação real às urnas.
No centro da atual tensão está a movimentação de Leandro Vitor, apontado como uma das principais frentes da legenda no município. Interlocutores apontam que Vitor acelera articulações para viabilizar sua candidatura a deputado, uma estratégia que avança sobre o mesmo terreno político pretendido pelo vereador Julião. Esse choque de trajetórias expõe uma fragilidade institucional: a ausência de um processo claro de liderança e mediação que priorize o fortalecimento coletivo do partido em detrimento de projetos isolados de poder.
A insatisfação, no entanto, não se restringe à cúpula. Nomes expressivos que garantiram o desempenho da sigla no último pleito — como César do Pura Alegria, Lima do Depósito, Bujão do Trovoada e Denilson da Adega — manifestam abertamente o descontentamento com a atual condução do diretório. A queixa principal gira em torno do não cumprimento de acordos firmados e do sentimento de falta de reconhecimento político. Para lideranças que gastam a sola do sapato na periferia e dialogam diretamente com o eleitorado, a percepção de que foram usados como meros “puxadores de votos” para inflar o quociente eleitoral do partido gera um desgaste de credibilidade difícil de reverter.
A grande interrogação que paira sobre o futuro do PSB em Osasco é matemática e reputacional: como a legenda pretende se manter relevante no cenário municipal caso perca a força eleitoral e o engajamento de figuras como César do Pura Alegria, Professora Tereza, Julião, Lima do Depósito, Bujão do Trovoada e Denilson da Adega? Ao insistir em métodos que privilegiam os interesses do grupo que controla a diretoria e ignorar as bases que pavimentaram seus resultados, o partido corre o risco de encolher. O fortalecimento político real exige lucidez, cumprimento da palavra e a compreensão de que uma sigla não se sustenta apenas com caciques, mas com o respeito àqueles que constroem a sua história nas ruas.

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