Morte após aula de natação: piscina tinha cloro para uma semana, diz delegado

Morte após aula de natação: piscina tinha cloro para uma semana, diz delegado

A Polícia Civil de São Paulo apura um caso de homicídio doloso após a morte de uma professora e a intoxicação de várias pessoas em uma academia da zona leste. O delegado responsável acusa os proprietários de priorizarem o lucro em detrimento da segurança.

O delegado Alexandre Bento, titular do 42º Distrito Policial (Parque São Lucas), afirmou que os donos da academia C4 Gym visavam apenas o lucro máximo. De acordo com o policial, as especificações técnicas do caso apontam que “a carga de cloro que usavam em um dia era para uma semana”. Essa prática teria como objetivo maquiar a água para que a piscina nunca fosse fechada.

“O cheiro do cloro permanece muito forte, porque há narrativas nos autos de que eles chegavam a usar, num dia na academia, uma medida que normalmente, para esse tipo de piscina, dentro do padrão, é utilizado em uma semana”, detalhou o delegado. A polícia pediu a prisão temporária dos três proprietários – Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração – por homicídio doloso.

Os três compareceram de forma espontânea à delegacia na quarta-feira (11/2), acompanhados de advogados, prestaram depoimento e foram indiciados. A corporação aguarda decisão judicial sobre a prisão. Há indícios de que um manobrista de 43 anos, Severino José da Silva, recebia orientações diretas dos proprietários via WhatsApp para aplicar produtos químicos, mesmo sem qualificação técnica.

Vítimas e Internações

O caso ocorreu no último sábado (7/2), na academia C4 Gym, no Parque São Lucas, zona leste de São Paulo. A professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, sofreu uma parada cardíaca após uma aula de natação e não resistiu no Hospital Santa Helena, em Santo André. Seu marido, Vinicius de Oliveira, de 31 anos, que a acompanhava, também sentiu mal-estar e foi internado em estado grave.

Ao menos outras seis pessoas foram intoxicadas. Um menor de idade foi levado pelo pai ao Hospital Vila Alpina, na zona leste, com dificuldade para respirar. Uma aluna de 29 anos foi internada na UTI após apresentar náuseas, vômitos e diarreia. O fato também foi registrado no 6º Distrito Policial de Santo André.

Penas Previstas

O Código Penal prevê pena de reclusão de 6 a 20 anos para homicídio doloso simples e de 12 a 30 anos para a modalidade qualificada. Para homicídio culposo, a pena é de 1 a 3 anos de detenção.

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